A
pesquisa foi feita com 120 famílias, de 64 comunidades de centro
urbanos em quatro capitais - Salvador, na Bahia, Recife, em Pernambuco,
São Paulo e Rio Janeiro. O estudo foi encomendado e pago pelo CGAP
(sigla em inglês de Consultative Group to Assist the Poor), um organismo
internacional, baseado no Banco Mundial. Como a Plano CDE realizou todo
o levantamento, pode divulgar parte dos dados financeiros, aos quais o
Estado teve acesso.
Diários financeiros.
Por
causa do número reduzido de entrevistados, a pesquisa não tem valor
estatístico. O seu grande diferencial é a profundidade. Os pesquisadores
tiveram acesso irrestrito à contabilidade das famílias por seis meses, o
que faz com que os resultados tracem uma radiografia fidedigna dos
padrões de comportamento dessa parcela da população.
"A pesquisa é
baseada no que se chama de Diários Financeiros, que acompanham as
fontes de receita e os gastos", diz Luciana. "É um tipo raro de
acompanhamento, que permite uma investigação do orçamento familiar e de
como as pessoas lidam com o dinheiro e as dívidas."
O orçamento de
todas as famílias pesquisadas variou ao longo dos seis meses. Uma delas
atravessou quase todas as classes. Foi pobre, vulnerável, passou três
vezes pela classe C e, por fim, entrou na B.
Segundo Luciana,
isso ocorre porque apenas uma parte da renda é certa - e nem sempre por
causa de um emprego com carteira assinada. Aposentadoria, pensão, bolsa
família e outros benefícios sociais, muitas vezes, são a
única parcela fixa da renda. O restante - que não raro responde pela
maior parcela do ganho - é coberto por bicos e atividades paralelas,
como venda de cosméticos ou fazer salgados para fora.
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