Choques temporários de oferta de alimentos figuram como um dos
motivos que fazem com que a inflação ainda mostre resistência. A
avaliação consta da ata da última reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada hoje (16).
Outro
motivo apontado pelo BC para a inflação permanecer alta é o reflexo do
ajuste dos preços externos em relação aos internos e aos administrados
em relação aos livres, ocorrido em 2015. O Copom também cita a
recomposição de receitas tributárias dos governos federal e estaduais no
início deste ano.
Juros básicos
Como a
inflação ainda permanece alta, o Copom reiterou que não há espaço para
redução da taxa básica de juros, a Selic. No último dia 8, o Copom
manteve a taxa Selic em 14,25% ao ano, pela sétima vez seguida. A
decisão foi unânime, na última reunião comandada por Alexandre Tombini,
que deixou a presidência do BC para ser substituído por Ilan Goldfajn.
A
Selic é o principal instrumento do BC para manter a inflação sob
controle. O Conselho Monetário Nacional estabeleceu meta de 4,5%, com
margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. A previsão de
instituições financeiras é que a inflação, medida pelo Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerre este ano acima do teto da meta, em 7,19%.
Embora
ajude no controle dos preços, o aumento ou a manutenção da taxa Selic
em níveis elevados prejudica a economia. Isso porque os juros altos
intensificam a queda na produção e no consumo. A taxa é usada nas
negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e
Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da
economia.
Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o
excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos
encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros
básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo,
mas enfraquece o controle da inflação.
Para o Copom, apesar dos avanços no combate à inflação, há incertezas
relacionadas ao gradual processo de recuperação dos resultados fiscais.
Acrescenta que o processo de realinhamento de preços relativos
(externos em relação aos internos e administrados em relação aos livres)
mostrou-se mais demorado e mais intenso que o previsto.
“Adicionalmente, remanescem incertezas em relação ao comportamento da
economia mundial”, disse o comitê, na ata.
O Comitê reiterou,
ainda, que adotará as medidas necessárias para fazer com que a inflação
fique dentro do limite da meta (6,5%) este ano, e caia para 4,5% em
2017.
Preços administrados
O BC projeta
que os preços administrados por contrato e monitorados terão variação de
6,8% em 2016, mesmo valor previsto na reunião do Copom de abril. Entre
outros fatores, essa projeção considera reajuste médio de 19,7% nas
tarifas de água e esgoto, de 13,6% nos planos de saúde e redução de 3,5%
nos preços da energia elétrica. Para 2017, o Copom considerou a
variação de 5% nos preços administrados, mesmo valor das três últimas
reuniões.
Fonte: Agência Brasil
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