Com
os MRCs da cocaína e Boa Noite Cinderela estabelecidos, as
investigações criminais ganharão força, já que estes são uma ferramenta
essencial para as metodologias de análise de drogas de abuso e
contribuirão para se chegar a um resultado preciso e inequívoco, com
prazos e custos menores. Instituições que atuam na área forense, como os
Institutos de Criminalísticas (IC) e Institutos Médicos Legais (IML)
das polícias civil e federal, e até mesmo as universidades, por exemplo,
serão alguns dos beneficiados. Além disso, estes MRCs poderão ser
usados pelos laboratórios credenciados pelo Departamento Nacional de
Trânsito para realização de exame toxicológico de larga janela de
detecção, obrigatório para todos os condutores habilitados nas
categorias C, D e E, bem como os candidatos a obtenção dessas
categorias.
Até
então, os MRCs de drogas eram adquiridos via importação, tornando o
processo mais caro e demorado, devido a burocracia para conseguir as
autorizações para aquisição destes tipos de materiais. A partir de agora
os laboratórios acreditados pelo Inmetro terão uma economia
considerável.
Para
se ter uma ideia, se os MRCs para drogas de abuso (cocaína,
flunitrazepam e diazepam - boa noite Cinderela) fossem importados da
Europa, o custo de cada um deles seria de cerca de R$ 5.000,00; estes
MRCs fabricados pelo Inmetro custarão apenas R$ 500,00 cada um deles.
O
Inmetro estima que serão vendidos cerca de 500 frascos/ano. O material
importado teria custo total de cerca de R$ 2,5 milhões de reais, em
comparação com o custo do produto nacional, que seria de R$ 250 mil
reais. Isto representa economia anual de aproximadamente R$ 2 milhões,
considerando apenas um tipo de MRC. O Inmetro pretende disponibilizar 8
compostos, que proporcionariam uma economia anual de aproximadamente R$
16 milhões.
“O
processo judicial envolvendo drogas de abuso frequentemente requer
perícia, o que gera um laudo pericial, que constitui prova que será
analisada pelo juiz. O laudo pericial pode ser contestado na justiça,
caso haja alguma dúvida quanto ao resultado alcançado nas análises
químicas, por exemplo, quando não se utiliza um MRC”, explica Rodrigo
Borges, especialista da Diretoria de Metrologia Aplicada as Ciências da
Vida do Inmetro.
Estes
MRCs estão contidos em frasco contendo cerca de 10 a 50 mg da droga
purificada ou sintetizada devidamente caracterizada quanto à sua
composição e grau de pureza pelas mais sofisticadas técnicas analíticas,
além de ter passado por estudos de homogeneidade e estabilidade. “A
amostra de cocaína, por exemplo, apresenta aproximadamente 98,5 % de
pureza”, complementa Borges.
“Importante
destacar que a disponibilização destes MRCs aguardará os entendimentos
com a ANVISA para a efetiva disponibilização para os laboratórios
responsáveis por perícias criminais”, explica José Granjeiro, Diretor de
Metrologia Aplicada as Ciências da Vida do Inmetro.
Ciências
da Vida – No dia 9 de junho, o Inmetro inaugurou o novo prédio, que
abrigará os Laboratórios de Microscopia Aplicada às Ciências da Vida
(Lamav) e a seção de Bioanálise de Proteínas e Carboidratos do
Laboratório de Macromoléculas (Lamac), onde são desenvolvidos estudos
detalhados de proteínas e açúcares complexos os quais são, cada vez mais
importantes para o desenvolvimento dos chamados biofármacos, moléculas
biológicas capazes de tratar doenças como o câncer, assim como de
proteínas utilizadas para a produção biocombustíveis, para uso
industrial ou desenvolvimento de sistemas para diagnóstico de doenças.
Fonte: Inmetro
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