sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Bancos compensam quedas das taxas de juros com aumento das tarifas, diz Idec

Os constantes cortes nas taxas de juros divulgados pelos bancos deixou muito consumidor com o "pé atrás". A grande pergunta é: será que essas diminuições nos juros não estão sendo compensadas nas tarifas?
Uma pesquisa realizada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) mostrou que sim. Os bancos estão compensando as quedas das taxas de juros com aumento nas tarifas.
O estudo mostrou que a receita dos seis maiores bancos do Brasil (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú e Santander) com tarifas cresceu 46% nos últimos doze meses e que o consumidor passou a gastar 33% a mais com esses serviços no período. Ou seja, os pacotes subiram quatro vezes mais que a inflação.
A receita saltou de R$ 8,02 bilhões para R$ 11,7 bilhões, segundo o balancete das instituições. Praticamente no mesmo período, o número de clientes destas instituições cresceu 10%.
“O cliente bancário tem contribuído de maneira decisiva para este aumento de receita de tarifas nos últimos anos. Enquanto cada cliente gastava em média R$ 52,43 com tarifas por ano em junho de 2011, no mesmo mês deste ano ele gastava R$ 69,86. Isto é, um incremento de 33% nos gastos do consumidor apenas com tarifas bancárias”, afirma a economista do Idec, Ione Amorim.
Entre as instituições, o HSBC foi o que obteve maior crescimento da receita com tarifas, de 123%. Já o menor crescimento foi o do Banco do Brasil, de 26%.
Veja a tabela com a renda dos bancos com tarifas e o tíquete médio do cliente bancário:
Receita com Tarifas 
Ano  Nº de Clientes   Renda com Tarifas  Tíquete Médio  Crescimento do tíquete Médio 
* Banco Central – Elaboração Idec
2009 136.276.932 R$ 5.907.247.000  R$ 43,35100  
2010 145.376.653  R$ 6.610.098.000   R$ 45,47  5%
2011 153.229.219  R$ 8.034.554.000  R$ 52,43  15%
2012 168.312.106  R$ 11.757.643.000  R$ 69,86  33%
 * Número de clientes foi usado como referência o mês de agosto e a renda com tarifas é referente ao mês de junho.
Não deu certo
Desde o início do ano, o governo brasileiro vem empenhando esforços em fazer com que a queda na Selic (taxa básica de juros) reflita em quedas nas taxas de juros das operações de crédito ao consumidor final. Com isso tem usado os bancos públicos BB e CEF para reduzir as taxas, fazendo com que os demais bancos privados façam o mesmo.
No entanto, parte dessa receita que as instituições perderam nas operações de crédito tem sido recuperada nas tarifas, o que também começou a ser alvo da atenção do governo, que tem feito pressão para que as duas instituições estatais realizem quedas nos valores das tarifas cobradas em seus serviços.
De acordo com o Idec, os anúncios de queda nas tarifas realizados tanto pelo Banco do Brasil quanto pela CEF no início de outubro deste ano, afetaram quase exclusivamente as tarifas avulsas e pouco mudaram os preços dos pacotes de serviços.
Tarifas Avulsas
Quase que simultaneamente com as reduções das taxas de juros de 2012, os bancos anunciaram novas tabelas de reajuste de preços das tarifas bancárias, que entraram em vigor entre junho e agosto deste ano.
Para o último período de 12 meses analisado pelo Idec, os bancos reajustaram 40 tarifas avulsas: no Banco do Brasil, o reajuste médio de 11 tarifas foi de 24%; no Bradesco, o reajuste médio de nove tarifas foi também de 24%; a CEF reajustou apenas uma tarifa em 59%; o HSBC reajustou em média 8% nove tarifas; o Itaú promoveu reajuste médio de 18% em nove tarifas; e o Santander não promoveu reajustes nas tarifas avulsas.
Entre as tarifas avulsas que mais sofreram reajustes estão duas que possuem os maiores valores e são reajustadas com mais frequência pelos bancos: exclusão do cadastro de emitentes de cheque sem fundos (mínimo de R$ 39 no Bradesco e máximo de R$ 51,90 no HSBC) e concessão de adiantamento ao depositante (mínimo de R$ 39 no Banco do Brasil e máximo de R$ 48,90 no HSBC).
 Pacotes Veja o comparativo de preços entre os pacotes de serviços considerados mais econômicos:
Banco do Brasil 
Pacote  Vigentes em 15/04/2011 Vigentes em 30/08/2012Reajuste no período  Reajuste após Out/2012
* Idec 
Modalidade 10 x Econômico  R$ 9,00 R$ 11,90 32%  -
Modalidade 20 x Especial  R$ 16,00 R$ 19,70 23%  -
Modalidade 30 x Completo  R$ 24,50 R$ 27,90 14%  -
* O Banco do Brasil reestruturou todas as cestas de tarifas criou 20 novos pacotes agrupados em categorias Pacotes BB, Bônus Celular, BB Ambiental e BomPraTodos, foram descontinuados cinco pacotes, além dos pacotes remanescentes da aquisição da Nossa Caixa. 

Bradesco 
Pacote  Vigentes em 15/04/2011 Vigentes em 30/08/2012Reajuste no período  Reajuste após Out/2012
* Idec 
Completa  R$ 21,00 R$ 25,40 21%  -
Básica de Serviços l  R$ 10,90 R$ 13,40 23%  -
Fácil  R$ 13,40 R$ 17,50 31%  -

Itaú 
Pacote  Vigentes em 15/04/2011 Vigentes em 30/08/2012Reajuste no período  Reajuste após Out/2012
* Idec 
Total  R$ 21,00 R$ 25,90 23% R$ 27,5
Simples   R$ 13,50 R$ 17,90 33% R$ 19,5
Econômico  R$ 9,90 R$ 13,45 36%  R$ 14,10

Caixa Econômica Federal 
Pacote  Vigentes em 15/04/2011 Vigentes em 30/08/2012Reajuste no período  Reajuste após Out/2012
* Idec 
Fácil  R$ 9,80 R$12,80 31%  -
Super R$ 12,50 R$ 15,00 20%  -
Especial  R$ 22,00 R$ 24,00 9%  -

Santander
Pacote  Vigentes em 15/04/2011 Vigentes em 30/08/2012Reajuste no período  Reajuste após Out/2012
* Idec 
Simples R$ 19,90 R$ 19,90 -  -
Especial  R$ 24,90 R$ 24,90 -  -
Especial Max R$ 32,60 R$ 33,60 3%  -

HSBC
Pacote  Vigentes em 15/04/2011 Vigentes em 30/08/2012Reajuste no período  Reajuste após Out/2012
* Idec 
Básico R$ 15,00 R$ 18,00 20%  -
Global  R$ 22,00 R$ 23,50 7%  -
Super R$ 31,00 R$ 33,00 6%  -
*Fonte: Site dos bancos e Banco Central – Elaboração Idec

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